CAPOEIRISTAS APOIAM PALESTINOS NO DIA DA NAKBA

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15 de maio de 2017 é a data que marca 69 anos da Nakba, ou “catástrofe”, para os palestinos; 69 anos desde que quase 800.000 palestinos foram forçados a deixar seu país para dar lugar à criação de Israel. Os que permaneceram – ou que mais tarde en cararam a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza (hoje com 50 anos) – foram obrigados a viver sob o controle ditatorial de um regime de colônias ilegais, que negou seus direitos mais básicos, submetendo-os a um racismo institucionalizado e simplesmente tratando-os como indesejáveis. Aqueles que se tornaram refugiados  foram incapazes de retornar, simplesmente porque não pertencem a determinado grupo religioso. De acordo com um relatório recente da ONU, e com inúmeros ativistas anti-racismo, incluindo o líder sul-africano Desmond Tutu, o tratamento de Israel aos palestinos constitui claramente um Apartheid.

Como praticantes da arte afro-brasileira da capoeira, somos inspirados pelas lutas históricas e atuais dos negros no Brasil para resistir à escravidão e ao racismo ainda vigente. Uma história que exige de nós, capoeiristas, uma luta continua onde quer que estejamos, em todo o mundo e que, além de apoiar os esforços contra o racismo anti-negro no Brasil, nos oponham à opressão onde e quando a vemos.

Somos inspirados por uma crescente solidariedade que liga movimentos anti-racistas como Black Lives Matter nos EUA com o movimento de solidariedade palestina. Ao discutir seu livro mais recente, Liberdade é uma luta constante: Ferguson, Palestina e as fundações de um movimento, a ex-pantera negra e veterana ativista Angela Davis sugere que fazer tais conexões são fundamentais para a criação efetiva de uma consciência radical:

É sobre racismo, mas também homofobia, e a transfobia, e trata-se de abordar a questão do poder/capacidade. Trata-se de criar um sentimento de solidariedade internacional. E a medida em que a Palestina se tornou central nos esforços contra o racismo neste país é uma indicação da importância da solidariedade internacional.

Para nós, jogar capoeira é se identificar ativamente com diferentes lutas. Assim, reconhecemos que a capoeira é em si mesma um ato político, e que ao pratica-la nos identificamos com um conjunto de valores que rejeitam a opressão, não importa quem esteja envolvido.

No caso da Palestina, o sentimento de responsabilidade para agir é ainda maior por causa da expansão generalizada da capoeira em colônias e assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia. Esses grupos de capoeira não só excluem os palestinos, mas contribuem para a viabilidade e naturalização do empreendimento colonial de Israel.

De acordo com Mahmoud Nawajaa, representante do comitê nacional palestino para boicotar, desinvestir e sancionar (BDS) Israel até que termine os ataques aos direitos palestinos, a capoeira está sendo usada para “normalizar” o sistema de injustiça de Israel:

Enquanto a Capoeira é um símbolo da luta negra contra a escravidão e o racismo no Brasil, hoje existem grupos brasileiros de capoeira desenvolvendo atividades em Israel e dentro de assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia. A capoeira não deve ser usada como ferramenta para normalizar o apartheid, ocupação e colonialismo israelenses contra o povo palestino.

O Comitê Nacional do BDS elogiou nossa iniciativa de realizar rodas de capoeira ao redor do mundo em solidariedade com o povo palestino. Eles convocam grupos e mestres de capoeira para se juntarem a outros líderes culturais e esportivos – incluindo o rapper Talib Kweli, a escritora Alice Walker, a lenda do rock Roger Waters e estrelas do futebol americano como Michael Bennet e Kenny Stills – para atender a chamada palestina BDS negando convites para “eventos em Israel, nos seus assentamentos ou em qualquer lugar do mundo, patrocinados pelo governo israelense ou instituições que o apoiam.”

Em 2015, foram organizadas cerca de 20 rodas de capoeira em solidariedade com os palestinos – no Brasil, na Palestina, nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Espanha, na França, na Alemanha, na Holanda, na Suécia, na Itália, na Jordânia, no Egito e no Líbano – com a participação de alguns dos líderes mais influentes da capoeira.

Mais uma vez este ano, capoeiristas em todo o mundo estarão mostrando seu apoio à libertação palestina, organizando rodas de capoeira em torno do 15 de maio, para expulsar o racismo e o apartheid israelenses.

Iê viva a liberdade!

 

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