Rodas mundiais para a Palestina 2017

(English below)

O Coletivo de Capoeira Liberdade Palestina e “camaras” estão convidando grupos de Capoeira e capoeiristas de todo o mundo para realizar rodas pela libertação da Palestina e contra o Apartheid israelense, durante a semana de 15 de maio de 2017. Capoeira vem da resistência contra a opressão.

Cantamos sobre o passado nos corridos e ladainhas para nunca esquecer de onde vem a capoeira, para continuar lutando onde precisamos e sempre que somos chamados.

15 de maio é o Dia da Nakba, um dia que os palestinos chamam a atenção do mundo para a sua luta. Convocamos capoeiristas para que se solidarizem com os palestinos, usando AUs para ajuda-los a virar de ponta-cabeça esta situação desumana.

Na sua roda você pode:

  • Criar uma música sobre a Palestina – ladainha ou corrido
  • Fazer uma exposição fotográfica
  • Colocar uma bandeira palestina ou kuffiyeh (cachecol quadriculado palestino)
  • Convidar um palestrante
  • Mostrar um filme
  • Ler a declaração!

*Não se esqueça de publicar fotos e vídeos de seus eventos nas mídias sociais!

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The Capoeira Freedom Collective Palestine and “camaras” (friends) are calling on capoeira groups and players around the word to hold rodas for Palestinian liberation and against Israeli Apartheid during the week of May 15th, 2017.

Capoeira is about resistance against oppression. We sing about the past in our songs to never forget where capoeira comes from, to keep fighting wherever we need to and whenever we are called to.

May 15th is Nakba Day, a day that Palestinians call the world’s attention to their ongoing struggle. We call on capoeiristas to stand with them, doing AUs (cartwheels) to help Palestinians turn their unjust situation around.

At your roda you can:

  • Create a Palestine-themed song – ladainha or corrido
  • Make a photo exhibition
  • Put up the Palestinian flag and/or kuffiyeh (scarf)
  • Invite a speaker
  • Show a film
  • Read the statement!

*Don’t forget to post photos and videos of your events on social media!

CAPOEIRA PLAYERS STAND WITH PALESTINIANS ON NAKBA DAY

latuffNakba2015 2May 15th, 2017, marks 69 years of Nakba, or “catastrophe”, for Palestinians; 69 years since nearly 800,000 Palestinians were forced from their country to make way for the creation of Israel. Those who remained—or who later came under the Israeli occupation of the West Bank and Gaza Strip (now 50 years old)—have since been forced to live under the boot of a settler colonial regime which has denied them their rights, subjected them to wanton racism and simply treating them as undesirables. For those who became refugees, they have been unable to return simply because they do not belong to the right religious group. According to a recent UN report, and to countless anti-racism activists including South African leader Desmond Tutu, Israel’s treatment of Palestinians plainly constitutes apartheid.

As practitioners of the Afro-Brazilian artform of capoeira, we are inspired by the historic and present struggles of blacks in Brazil to resist slavery and ongoing racism. This history demands that we, as capoeiristas, continue this struggle wherever we are around the globe and that in addition to supporting efforts against anti-black racism in Brazil, we oppose oppression wherever and whenever we see it.

We are likewise inspired by growing cross-movement solidarity linking anti-racist movements such as Black Lives Matter in the US with the Palestine solidarity movement. Discussing her most recent book, Freedom Is a Constant Struggle: Ferguson, Palestine, and the Foundations of a Movement, former Black Panther and lifelong activist Angela Davis suggests that making such connections is key to the effective creation of radical consciousness:

It’s about racism, but it’s also about homophobia, and it’s about transphobia, and it’s about addressing ableism. It’s about creating a sense of international solidarity. And the extent to which Palestine has become central to efforts against racism in this country is an indication of how important international solidarity has become.

For us, to play capoeira is to actively identify with all of these different struggles. In this sense, we acknowledge that capoeira is itself a political act, and that by practicing capoeira we are identifying with a set of values that rejects oppression no matter who it involves.

In the case of Palestine, the sense of responsibility to act is augmented by the widespread expansion of capoeira into illegal Israeli settlements in the West Bank. These capoeira groups not only exclude Palestinians but they contribute to the viability and naturalization of Israel’s colonial enterprise.

According to Mahmoud Nawajaa, representative of the Palestinian national committee to boycott, divest and sanction (BDS) Israel until it ends its assault on Palestinian rights, capoeira is being used to “normalize” Israel’s system of injustice:

While Capoeira is a symbol of the black struggle against slavery and racism in Brazil, today there are Brazilian capoeira groups developing activities in Israel and within illegal Israeli settlements in the West Bank. Capoeira shouldn’t be used as tool to normalize Israeli apartheid, occupation and colonialism against the Palestinian people.

The BDS National Committee has commended our initiative to hold capoeira rodas around the world in solidarity with the Palestinian people. They call on capoeira groups and masters to join other cultural and sport leaders—including rapper Talib Kweli, writer Alice Walker, rock legend Roger Waters and American football stars Michael Bennet and Kenny Stills—to heed the Palestinian BDS call by denying invitations for “events in Israel, in its settlements or for those around the world sponsored by Israeli and complicit institutions.”

In 2015, nearly 20 capoeira rodas (circles) in solidarity with Palestinians were organized—in Brazil, Palestine, the United States, the United Kingdom, Spain, France, Germany, Holland, Sweden, Italy, Jordan, Egypt and Lebanon—with the participation of some of capoeira’s most influential leaders.

Yet again this year, capoeiristas around the world are showing their support for Palestinian liberation by organizing capoeira rodas on or around May 15 to kick out Israeli racism and apartheid.

Iê viva a liberdade!

CAPOEIRISTAS APOIAM PALESTINOS NO DIA DA NAKBA

latuffNakba2015 2

15 de maio de 2017 é a data que marca 69 anos da Nakba, ou “catástrofe”, para os palestinos; 69 anos desde que quase 800.000 palestinos foram forçados a deixar seu país para dar lugar à criação de Israel. Os que permaneceram – ou que mais tarde en cararam a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza (hoje com 50 anos) – foram obrigados a viver sob o controle ditatorial de um regime de colônias ilegais, que negou seus direitos mais básicos, submetendo-os a um racismo institucionalizado e simplesmente tratando-os como indesejáveis. Aqueles que se tornaram refugiados  foram incapazes de retornar, simplesmente porque não pertencem a determinado grupo religioso. De acordo com um relatório recente da ONU, e com inúmeros ativistas anti-racismo, incluindo o líder sul-africano Desmond Tutu, o tratamento de Israel aos palestinos constitui claramente um Apartheid.

Como praticantes da arte afro-brasileira da capoeira, somos inspirados pelas lutas históricas e atuais dos negros no Brasil para resistir à escravidão e ao racismo ainda vigente. Uma história que exige de nós, capoeiristas, uma luta continua onde quer que estejamos, em todo o mundo e que, além de apoiar os esforços contra o racismo anti-negro no Brasil, nos oponham à opressão onde e quando a vemos.

Somos inspirados por uma crescente solidariedade que liga movimentos anti-racistas como Black Lives Matter nos EUA com o movimento de solidariedade palestina. Ao discutir seu livro mais recente, Liberdade é uma luta constante: Ferguson, Palestina e as fundações de um movimento, a ex-pantera negra e veterana ativista Angela Davis sugere que fazer tais conexões são fundamentais para a criação efetiva de uma consciência radical:

É sobre racismo, mas também homofobia, e a transfobia, e trata-se de abordar a questão do poder/capacidade. Trata-se de criar um sentimento de solidariedade internacional. E a medida em que a Palestina se tornou central nos esforços contra o racismo neste país é uma indicação da importância da solidariedade internacional.

Para nós, jogar capoeira é se identificar ativamente com diferentes lutas. Assim, reconhecemos que a capoeira é em si mesma um ato político, e que ao pratica-la nos identificamos com um conjunto de valores que rejeitam a opressão, não importa quem esteja envolvido.

No caso da Palestina, o sentimento de responsabilidade para agir é ainda maior por causa da expansão generalizada da capoeira em colônias e assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia. Esses grupos de capoeira não só excluem os palestinos, mas contribuem para a viabilidade e naturalização do empreendimento colonial de Israel.

De acordo com Mahmoud Nawajaa, representante do comitê nacional palestino para boicotar, desinvestir e sancionar (BDS) Israel até que termine os ataques aos direitos palestinos, a capoeira está sendo usada para “normalizar” o sistema de injustiça de Israel:

Enquanto a Capoeira é um símbolo da luta negra contra a escravidão e o racismo no Brasil, hoje existem grupos brasileiros de capoeira desenvolvendo atividades em Israel e dentro de assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia. A capoeira não deve ser usada como ferramenta para normalizar o apartheid, ocupação e colonialismo israelenses contra o povo palestino.

O Comitê Nacional do BDS elogiou nossa iniciativa de realizar rodas de capoeira ao redor do mundo em solidariedade com o povo palestino. Eles convocam grupos e mestres de capoeira para se juntarem a outros líderes culturais e esportivos – incluindo o rapper Talib Kweli, a escritora Alice Walker, a lenda do rock Roger Waters e estrelas do futebol americano como Michael Bennet e Kenny Stills – para atender a chamada palestina BDS negando convites para “eventos em Israel, nos seus assentamentos ou em qualquer lugar do mundo, patrocinados pelo governo israelense ou instituições que o apoiam.”

Em 2015, foram organizadas cerca de 20 rodas de capoeira em solidariedade com os palestinos – no Brasil, na Palestina, nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Espanha, na França, na Alemanha, na Holanda, na Suécia, na Itália, na Jordânia, no Egito e no Líbano – com a participação de alguns dos líderes mais influentes da capoeira.

Mais uma vez este ano, capoeiristas em todo o mundo estarão mostrando seu apoio à libertação palestina, organizando rodas de capoeira em torno do 15 de maio, para expulsar o racismo e o apartheid israelenses.

Iê viva a liberdade!